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Muito mais do que dízimo



Por mais polêmica que pareça , vou expor minha posição, que é pautada na Bíblia.
Começo afirmando categoricamente,  Deus não exige 10 por cento da nossa renda. Ele  não exige de nós 10 por cento do nosso lucro.

Ele de fato  exige muito mais. Ele quer toda nossa vida, todo nossa ser, nosso coração devoto. E isso inclui nossa renda. 

No cálculo que o Senhor faz,  menos do que  tudo  é igual a nada.

Se Ele deseja todo nosso coração, toda nossa lealdade isso significa que Ele quer todo nosso dinheiro. Mas não da forma como muitos pensam.  Vejamos.
Por boa parte das referências bíblicas, especialmente  no Antigo Testamento , quando se fala de contribuição isso se trata  de  10% do lucro obtido renda anual dos israelitas. É o famoso dízimo. Ele foi  oficialmente incluído  na Lei Mosaica por Deus no monte Sinai.
O Dízimo porém é anterior a Lei. O exemplo de Abraão , o dízimo foi entregue por ele, voluntária e espontaneamente,  ao Sacerdote Melquisedeque Rei de Salém, como lemos em Gênesis 14.17-20.
Foi também entregue por Jacó,  de forma voluntária,  como lemos em Gênesis 28.20-22. Neste texto ele faz referência a um voto pessoal que Jacó faz com  o Senhor. Dizimaria como seu avô Abraão.
Estes dois exemplos são suficientes para demonstrar que o dízimo é anterior à lei.
Além disto percebemos a tradição do dízimos em sociedades muito antigas, estudiosos afirmam que o dízimo existe há muito mais tempo que o cristianismo. Templos no antigo Egito, Grécia e Roma, por exemplo, cobravam tributos desde antes de 1500 a.
Disto se percebe que dizimar era uma prática comum  desde os patriarcas, algo que a sociedade hebréia estava acostumada a fazer espontânea  e regularmente , a lei mosaica somente instituiu oficialmente e regulamentou a prática comum na nação hebraica.
Como lemos em  Números 18.21, o dízimo era o percentual devido aos Levitas e Sacerdotes que trabalhavam no santuário e no templo, consagrados exclusivamente ao serviço sagrado. O dízimo era dado no templo, pago aos sacerdotes , era oferecido a Deus , mas quem usufruía eram os levitas que trabalhavam pra Deus.
Além de manter os trabalhadores do templo e o templo o dízimo também era utilizado em contribuições assistenciais para os carentes e necessitados como lemos em Deuteronômio 14,28. Os levitas não possuíam herança no meio do povo, não plantavam nem colhiam, mas seu serviço era exclusivamente para o Senhor, no templo sendo alimentados e vestidos pelo restante de seus irmãos.

Mas nós não somos Israelitas, deveríamos então nos sujeitar ao dízimo da lei mosaica?

Naturalmente que não. Não estamos sujeitos à lei de Moisés. Estamos sujeitos às ordens de  Cristo, nosso Senhor e Salvador.
Sobre o dízimo Jesus fala muito pouco, quase nada, sua intenção não era estabelecer uma religião pormenorizada e sistematizada para substituir o judaísmo. Ele deu parâmetros gerais do que deveria ser um seguidor de Cristo.
 Lemos em  Mateus 19.21 .

" Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue- me. "

Neste texto  Jesus não está dizendo  para que todos nós vendamos  tudo que temos , deixemos nossa família na penúria, nossas dívidas atrasadas para que possamos seguir-lhe. A ordem era direcionada a este jovem. Se ele deixasse seus muitos bens aos pobres Jesus o faria um dos discípulos! Quiçá um dos 12 apóstolos.
Mas o sentido do ensino é universal e fica para nós o exemplo. Cristo exige dedicação total ao compromisso com o Reino de Deus.

Nosso "dízimo" neste sentido pode incluir bem mais que 10 por cento da renda, pode incluir nosso precioso tempo ajudando um irmão que passa por necessidade, pode incluir oferecer nossa residência para um culto no lar, pode incluir  separar uma cesta básica , um kit de higiene, uma visita ao asilo, uma visita ao orfanato, enfim, há tantas coisas preciosas na nossa vida que precisamos investir no reino de Deus que o dízimo se torna pequeno perto disso. E estas coisas são indispensáveis ao verdadeiro fiel.
Mas não é só isso.
Paulo, o apóstolo que foi escolhido para organizar e instituir a Igreja primitiva recomendou que reservássemos uma parte de nossa renda para manter os que trabalham com dedicação exclusiva para o  Reino de Deus. Sejam pastores, professores, diáconos, músicos, enfim, dependendo da capacidade de uma Congregação de manter estes ministros.
Leiam  o que diz 1 Coríntios 9.6-14:

"6 Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar? 7 Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado? 8 Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo? 9 Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? 10 Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. 11 Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais?

A verdade é que o  dizimo, e as contribuições,  nunca foram  para Deus,  mas sim para os custeios dos templos e para ajudar os necessitados.
Deus não precisa de dinheiro, Ele é dono de tudo. Apenas nos exige que valorizemos quem trabalha entre nós e tem o compromisso de administrar a congregação e se esmerar para ensinar o rebanho.

É preciso pois servir a Deus com nossas contribuições voluntárias. Leia mais em  2 Cor 9. 7 :

 "Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria."

E em se tratando dos oficiais da Igreja, no Novo Testamento chamados de presbíteros, fica claro o ensino que a Igreja deve prover-lhes o sustento para que possam usar todo o seu tempo cuidando do rebanho e preparando a Palavra. Lemos assim em 1 Timóteo 5.17:

Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino.

Entendemos, por fim, que tudo que  possuímos é devido a bondade e misericórdia do Senhor é fruto da infinita graça divina. O dízimo é apenas o mínimo  justo que podemos dispensar para manutenção da casa de Deus , mas isso não nos desobriga de fazermos além disto , tudo o que for preciso e possível para ajudar os pobres , carentes e necessitados, bem como investir em missões e evangelismo que fazem parte do serviço da Igreja.
Isso mostra que amamos a Jesus de coração e a nosso próximo como a nós mesmos. Sempre contribuindo com alegria, com sabedoria e com regularidade.
Contribuir é muito mais que dizimar.

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