Chegue a ti o meu clamor, ó Senhor; dá-me entendimento conforme a tua palavra. Salmos 119. 169
Toda pessoa deseja direção. Quem quer viver desgovernado e sem
rumo? Em algum momento da vida perguntamos: "Qual caminho devo
seguir? Que decisão devo tomar? O que Deus quer de mim?" O salmista,
porém, nos mostra que a busca pela direção é o começo de uma vida
profunda e valiosa, bem dirigida.
Mas, antes de saber qual caminho percorrer, é preciso saber onde queremos
chegar. Esse é o ponto decisivo. O objetivo do salmista não é
apenas encontrar respostas para as circunstâncias da vida, mas caminhar em
conformidade com a vontade de Deus. Seu destino é Deus; Por isso,
seu clamor não é: "Mostra-me o caminho", mas "Dá-me
entendimento."
Antes de dirigir nossos passos, Ele reforma nossa mente.
Essa oração revela uma verdade profunda: quem clama por direção, na realidade, está clamando por entendimento. Deus conduz seu povo, antes de tudo, transformando sua maneira de pensar. Antes de dirigir nossos passos, Ele reforma nossa mente. Afinal, nossas escolhas são consequência daquilo que compreendemos. Quando aprendemos a interpretar corretamente a Palavra, aprendemos também a discernir os caminhos de Deus.
A direção correta sempre nasce da sabedoria. E a verdadeira
sabedoria não é fruto da experiência, da inteligência ou da intuição humana. A
Escritura afirma que "a sabedoria que vem do alto" (Tg
3.17) procede de Deus. É uma sabedoria revelada, comunicada por Sua Palavra e
aplicada ao coração pelo Espírito Santo. Assim, pedir entendimento é pedir que
Deus nos conceda essa sabedoria que orienta cada passo da vida.
Mas surge uma pergunta inevitável: se Deus fala por meio das
Escrituras, por que tantas vezes temos dificuldade em compreendê-las?
Não é porque a Bíblia seja um livro obscuro em sua essência. Pelo
contrário, ela foi dada para iluminar o caminho do povo de Deus. O salmista já
havia declarado que a Palavra é "lâmpada para os meus pés e luz para o meu
caminho". O problema não está na luz, mas nos olhos de quem a contempla. A
riqueza das Escrituras é tão profunda que nenhuma leitura superficial consegue
explorar toda a sua beleza. Além disso, nossa mente é limitada, nossos preconceitos
frequentemente distorcem a interpretação e nosso coração, marcado pelo pecado,
prefere que Deus confirme nossas opiniões em vez de confrontá-las.
Por isso, o estudo das Escrituras jamais pode ser separado da
oração. A teologia nasce de joelhos.
O mesmo Deus que inspirou a Palavra é aquele que ilumina o leitor.
O mesmo Espírito que conduziu os profetas e apóstolos é quem abre nossos olhos
para compreender aquilo que foi escrito. Não basta possuir uma Bíblia aberta
diante de nós; é necessário que Deus abra também o nosso entendimento. Ler a
Bíblia sem oração pode produzir informação; lê-la em dependência de Deus produz
transformação.
É significativo que o salmista peça entendimento "conforme a
tua palavra". Ele estabelece o padrão da resposta que
espera receber. Não deseja um entendimento moldado por sua cultura, suas
experiências, seus sentimentos ou seus interesses pessoais. Quer que sua mente
seja corrigida, disciplinada e formada pela revelação divina. Em outras
palavras, ele não pede que a Palavra se adapte ao seu modo de pensar; pede que
seu modo de pensar seja transformado pela Palavra.
Talvez essa seja uma das maiores necessidades da igreja em nossos
dias. Muitos pedem direção para tomar decisões, mas poucos pedem entendimento
para interpretar corretamente as Escrituras. Queremos respostas rápidas para
nossas escolhas, quando Deus deseja primeiro moldar nosso caráter. Procuramos
orientação para um momento específico, enquanto Deus trabalha para formar uma
mente que saiba discernir Sua vontade em todas as circunstâncias.
Antes de buscar respostas específicas para cada escolha da vida,
aprendamos a fazer a oração do salmista. Porque aquele que recebe entendimento
segundo a Palavra dificilmente permanecerá sem direção. Quando Deus ilumina a
mente pela verdade das Escrituras, os pés encontram o caminho que devem seguir.
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