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Religião oficial - Igreja Romana

Como já foi visto o modo de vida cristão, que pregava o desapego às riquezas, a simplicidade de vida e a adoração, exclusiva, de um único Deus, contrariavam diretamente os   costumes e tradições romanas, os cristãos começaram ser oficialmente perseguidos pelo Império Romano. Presos, torturados e mortos, os cristãos significavam uma ameaça no momento em que cresciam à custa das classes subalternas da sociedade romana. Mesmo sofrendo intensa perseguição, o cristão que morresse pela sua fé , cria que obtinha a garantia de uma existência futura abençoada.
Antigo anfiteatro Coliseu- palco de sangrentos martírios cristãos

Na medida em que as perseguições se intensificavam, o número de convertidos crescia vertiginosamente. A determinação dos pregadores cristãos era vista como prova máxima das verdades cristãs. Com isso, a população romana, que começava sentir os efeitos da crise do Império, buscava consolo nas doutrinas cristãs. Com o passar do tempo, as próprias autoridades perceberam que não poderiam mais ignorar a expansão do cristianismo ao longo do Império.


A Conversão de Constantino - O Édito da tolerância

No outono de 312, junto à ponte Mílvia, nas proximidades de Roma, o jovem general  Constantino derrotou o exército mais numeroso de seu rival Maxêncio e se tornou o líder inconteste da parte ocidental do Império Romano. Segundo consta, na véspera do confronto ele teve um sonho no qual viu o lábaro (as duas primeiras letras sobrepostas do nome de Cristo em grego) e foi instruído a usá-lo como proteção em suas batalhas. Este  sonho segundo a tradição, ocorrera na noite anterior à batalha sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latim "In hoc signo vinces" ("sob este símbolo vencerás").
O Lábarum do sonho de Constantino


A autenticidade da conversão de Constantino é uma questão debatida. Ele manteve o título de “Pontifex Maximus”, que era usado pelo sumo sacerdote pagão, e durante uma década suas moedas tiveram a efígie de deuses romanos, em especial do Sol invencível (“Sol invictus”), do qual tinha sido devoto. Além disso, só recebeu o batismo no final da vida, ainda que essa prática não fosse incomum. Todavia, ele se identificou claramente com a fé cristã e suas atitudes em relação à igreja causaram um impacto profundo na trajetória posterior do cristianismo.

Em 313 EC, Constantino fez um acordo com o Imperador Licínio, governante das províncias orientais. Através do Edito de Milão, ambos garantiram liberdade de religião e direitos iguais a todos os grupos religiosos


Religião Oficial

O historiador Mark Noll observa que, nos três primeiros séculos, a igreja havia existido como uma comunidade peregrina, “que não estava em casa em parte alguma do mundo”, que não tinha nenhuma segurança permanente nesta vida. Com a conversão do imperador, isso gradualmente se desfez. Em troca de alguns ganhos positivos, como o apoio que a igreja recebeu dos governantes em sua missão evangelizadora e civilizadora junto aos povos bárbaros, foi necessário pagar um alto preço. 

No dia 19 de junho de 325, o imperador Constantino interferiu num conflito eclesiástico. Para pacificá-lo, ele convidou os bispos cristãos para um concílio em Niceia, após longos debates, Constantino   aceitou o consenso segundo o qual Deus e Jesus constituiriam uma mesma entidade. Com a assinatura dessa definição pelos religiosos presentes, teve fim a perseguição dos cristãos.
Porém notícias ainda melhores esperavam os adeptos da fé cristã. Pois em 27 de fevereiro de 380 o imperador bizantino Teodósio 1º (347-395) promulgou um decreto declarando o cristianismo religião de Estado e punindo o exercício de cultos pagãos. A assinatura se deu em Tessalônica, na presença do imperador do Ocidente, Valentiniano 2º (371-392), e do meio-irmão e corregente Graciano (359-383).


Autoridades  - Bispos e Papas

Desde então, o cristianismo tornou-se a principal religião romana. Multiplicou-se o número de fiéis, formou-se uma extensa hierarquia responsável pelo cuidado dos cristãos. Os primeiros diáconos e padres surgiram no seio da Igreja. Já no século II, formaram-se escolas responsáveis pela formação dos clérigos. Iniciava-se então um processo de hierarquização que transformou a forma difusa do cristianismo primitivo em uma instituição regida por claras normas.
Papa Leão Magno

De acordo com o ensinamento oficial da Igreja Católica Romana, definido no Primeiro Concílio do Vaticano (1870), Jesus Cristo estabeleceu o papado com o apóstolo Pedro; e o bispo de Roma como sucessor de Pedro exerce a autoridade suprema (primazia) sobre toda igreja.

A história indica que o conceito de reinado papal foi um paradigma complexo e de difícil implementação. Nesse processo, Leão foi a figura principal por  que forneceu pela primeira vez as bases bíblicas e teológicas da reivindicação papal. Por isso, é um engano falar de papado antes dessa época. O título “papa” expressa o cuidado paternal de todos os bispos do rebanho. Começou a ser reservado para o bispo de Roma apenas no século VI, muito depois da reivindicação de primazia.

É importante ressaltar que os Patriarcados das cidades de Antioquia, e Alexandria, que  foram estabelecidos antes de Roma (o apóstolo Pedro até mesmo serviu, segundo algumas fontes, como bispo auxiliar em Antioquia) além da Sé de Constantinopla disputavam com a Sé de Roma, a primazia sobre a Igreja recém constituída. 
Esta disputa arrefeceu com o surgimento e o bispo romano Leão,  que foi conhecido como Leão Magno (ou Leão o Grande)   que foi  considerado o primeiro papa. Papa significa pai e este título fora utilizado até ali pelos bispos que presidiam as Igrejas das cidades mais proeminentes já anteriormente citadas, porém desde Leão este título fica  reservado ao bispo de Roma.Bispo dos Bispos, padre dos padres.

Antes de sua eleição para o ofício papal, Leão, um nobre de uma região ao norte de Roma, foi mandado à Gália pelo imperador para arbitrar a disputa. Quando o bispo de Roma morreu, o clero romano enviou um delegado para informar Leão que a escolha de um novo bispo havia recaído sobre ele.

No sermão que pregou no dia de sua posse, Leão louvou a “glória do abençoado apóstolo Pedro cuja cadeira seu poder vive e sua autoridade brilha”. Leão fez sua entrada na história como chefe supremo de toda a cristandade. Leão, o primeiro papa, baseou o fundamento teórico para a primazia papal apelando ao testemunho triplo do evangelho (Mateus 16.13; Lucas 22.31-32; e João 21. 15-17): Cristo prometeu construir sua igreja sobre Pedro, a pedra para todas as épocas, e os bispos de Roma são seus sucessores nessa autoridade, dizia Leão. Um século mais tarde elevou o status do ofício do bispo em Roma de uma vez por todas.  O poder do bispo de Roma começava a despontar como principal autoridade política da Europa.
Para mais informações  clique aqui.


Fontes

blogcaminhocristao.wordpress.com - Visitado em 20 de Outubro de 2014
educaterra.terra.com.br - Visitado em 21 de Outubro de 2014
ultimato.com.br/revista- Visitado em 21 de Outubro de 2014
celebrandodeus.com - Visitado em 21 de Outubro de 2014
dominumvobiscum.wordpress.com - Visitado em 21 de Outubro de 2014
icnv.com.br - Visitado em 21 de Outubro de 2014


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