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Magnificat

Lucas 1:  46-55 Na versão brasileira de João  Ferreira de Almeida Revista e Atualizada.
Neste post irei proceder um comentário ao Magnificat.
Vamos primeiro ler a versão sem divisões em versículos.


Maria recebendo a notícia do anjo Gabriel


Magnificat
A minha alma engrandece ao Senhor,e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; porque atentou na condição humilde de sua serva. Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome.
E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem.
Com o seu braço manifestou poder; dissipou os que eram soberbos nos pensamentos de seus corações;  depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes. 
Aos famintos encheu de bens, e vazios despediu os ricos. 

Auxiliou a Isabel, sua serva, lembrando-se de misericórdia (como falou a nossos pais) para com Abraão e a sua descendência para sempre.


Eu como evangélico  assumo que nossa tradição tem desprezado muito  a grandeza do exemplo de vida  que nos legou    Maria, escolhida para ser a mãe terrena de Cristo. Este desprezo não faz parte do  verdadeiro ideal da Reforma, mas de fato ele é resultado do temor de que  uma afeição e elogios a Maria poderia descambar em Idolatria, isso é , desejam precaver a mariolatria (adoração de Maria).
Todo exagero deve ser abandonado. Maria teve  naturalmente um papel  relevante no plano divino que culminou com nossa salvação, afinal ela foi usada para conceber, alimentar, ensinar a andar, deu banho, ensinou também as primeiras palavras , o alfabeto entre outras atividades comuns às mães. Maria foi uma serva fiel e obediente e merece ser lembrada por isso. Mas ã Bíblia que registrou tão poucas palavras de Maria, também nos legou este maravilhoso cântico em que ela exalta as maravilhas de Deus de uma forma magnífica  e arrebatadora , este cântico entrou para história com o nome  de Magnificat. Eu me  refiro ao cântico de louvor pronunciado por Maria   diante da sua prima Isabel  e que é conhecido como o “Magnificat”, um hino maravilhoso que brota certamente de um coração terno, amável e submisso, nos deixando embevecidos com sua harmoniosa composição.  “Magnificat”, vem do latim e significa "Engrandece"  pois é a palavra usada no começo do cântico.
Versos bem escritos, elaborados com esmero, assim como os  grandes discursos , produzidos por grandes e estudados oradores, não deixa de causar espanto que  uma jovem simples, das camadas mais pobres do povo judeu  , aparentemente sem ter a oportunidade de receber uma educação formal, conseguir se expressar de maneira tão eloquente. Certamente foram palavras inspiradas pelo Espírito Santo, e usaram o coração singelo desta virgem de  Belém.
Vamos proceder um breve comentário deste lindo cântico. O Texto estará em verde e os comentários estarão em preto.


Lucas 1:  46-55 Na versão brasileira de João  Ferreira de Almeida Revista e Atualizada.

Magnificat
46  Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, 
47  e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador;

Maria está a oferecer ao Senhor  tudo de mais nobre, mais digno, mais sublime  que seu coração e seu vocabulário poderiam exprimir. 
Espírito e Alma , aqui são usados como sinônimos, elas   enfatizam como a totalidade do  ser interior foi atingido com a sublimidade do projeto divino na vida de Maria. Ela seria mãe do Salvador do Mundo, isso é um privilégio que ela sabia que estava totalmente fora de sua compreensão, seria algo inexplicável, mesmo assim ela reconhecia a grandeza do seu chamado. Quem poderia se comparar em felicidade com ela? Quem poderia igualar-lhe em prazer e contentamento? Com certeza maria não tinha noção do mistério da Trindade que estava para ser anunciado através do Filho  de Deus , nem sabia como  se daria a Salvação prometida través do fruto do seu ventre. Mas ela cria que algo grandioso estava acontecendo e que aprouvera ao Senhor fazê-la parte disto.

48  porque atentou na condição humilde de sua serva. Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada,
 Deus atentou, outras traduções também dizem contemplou, ou seja, o Senhor dos altos céus percebeu que havia uma jovem com coração humilde suficiente para não se ensoberbecer com a grandeza do projeto divino em sua vida.  Ela sabia que não havia nada nela que fosse especial  o suficiente para impressionar o Senhor para que pudesse escolhe-la .  Ela compreendeu que é para os que se reconhecem como totalmente indignos e imerecedores da bondade divina que o Senhor atenta. Maria apresenta sua sensação de insignificância   perante Deus que, com decisão graciosa, colocou seu olhar sobre ela, jovem humilde de Nazaré, chamando-a para a missão de mãe do Salvador . Por causa deste coração reconhecidamente humilhado é que as gerações futuras lhe chamarão bem-aventurada, termo que significa muito mais do que feliz.


49  porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome.
Santificar o nome de Deus é algo que todo judeu aprende, desde a meninice. Maria jubila pela dádiva recebida e inclui na sua devoção uma alegre exultação ao Senhor. 


50  E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem.
Passarão muitas gerações, muitos homens e mulheres nascerão e morrerão , mas a recordação da experiência desta virgem de Nazaré, que recebeu esta imensa e singular graça divina será perpetuada para todo sempre.

51 Com o seu braço manifestou poder; dissipou os que eram soberbos nos pensamentos de seus corações;
52  depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes.
53  Aos famintos encheu de bens, e vazios despediu os ricos.
Aqui  nestes versículos percebemos que Maria recorda, nos mesmos moldes dos antigos salmistas, vários dos feitos do Senhor e a grandeza do seu poder , seus feitos terríveis contra todos os ímpios e sua  bondade e graça para os piedosos. Povos grandes foram destruídos, reis soberbos foram destruídos, mas a glória do Senhor é indestrutível, ele exalta os humildes  e abate os soberbos.
Maria como descendente pobre da casa de Davi, sofria na pele as privações que um judeu comum, da classe baixa  experimenta. Mesmo assim ela podia confiar que , mesmo sendo pobre ela seria suprida em suas necessidade pelo Deus que prometera-lhe um filho que seria o Salvador. Ela reconhecia que Deus não escolhera uma jovem da elite, das classes poderosas dos judeus para fazer o que mais lhe agrada, elevar os pequenos e abater os soberbos.

54 Auxiliou a Isabel, seu servo, lembrando-se de misericórdia
55 (como falou a nossos pais) para com Abraão e a sua descendência para sempre.
Tal como uma boa israelita, que amava seu povo, sua gente  e sua terra, ela relembra agora em seu cântico a grande misericórdia divina demonstrada em favor de Abraão o grande Patriarca da fé.
Tal qual Abraão, ela também, Maria , agia agora pela fé, crendo na promessa invisível que o Senhor lhe houvera feito, de fazer com que do seu ventre virgem brotasse o Salvador da Humanidade o Filho do Deus Altíssimo. 



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